Alunos de SMD produzem série em quadrinhos com o objetivo de trazer leveza e ludicidade para assuntos científicos
Por Julia Maria Freitas Bezerra
No segundo semestre de 2025, seis alunos do segundo semestre do Curso de SMD foram responsáveis pela criação da série em quadrinhos Bella e o Mistério dos Microplásticos, em projeto com o grupo Conexão Azul, que busca a educação ambiental e a divulgação científica sobre microplásticos. Protagonizados por Bella, uma menina de 10 anos, os quadrinhos abordam o conceito de microplásticos, bem como a sua chegada à natureza e as consequências negativas da presença desse material para os seres humanos.
Os alunos foram inseridos no projeto devido a uma atividade do curso de SMD que exige que os estudantes criem recursos multimídias para ações extensionistas de professores da Universidade. Assim, a equipe composta por Alison da Silva, Anderson Maia, Naamã Alecsander, Pedro Bruno, Thalita Suzy e Yan Rabelo escolheu o projeto Conexão Azul por “curiosidade em descobrir a temática dos microplásticos, pois era um tema pouco conhecido para a equipe, mas que tinha uma promessa relevante”, segundo Anderson. A mídia que o grupo escolheu para explicar os microplásticos foi a dos quadrinhos, por garantirem versatilidade para explicar o tema de forma lúdica ao público jovem e também pela facilidade de distribuição em meios físicos e virtuais.
Nesse sentido, os discentes foram responsáveis pela criação total dos quadrinhos: roteiro, storyboards, ilustrações e paleta de cores. Para a parte científica, de transmissão de informações, os alunos contaram com a professora Rilvia Santiago, coordenadora do LTS+ (Laboratório de Termodinâmica e Soluções Sustentáveis), ao qual o projeto Conexão Azul está vinculado.
A participante Thalita Suzy destacou o enriquecimento que a experiência trouxe para a sua formação acadêmica:
“Eu sempre aprendi mais quando pude colocar as ‘mãos na massa’ em alguma coisa, e, com o projeto de extensão, eu pude experimentar o que é criar um produto audiovisual do zero, caminhando por todas as partes do processo de criação que antes eu nunca tive contato. Foi realmente aprender a teoria nas disciplinas e no outro dia já estar colocando na prática (às vezes até antes) os conceitos [das matérias do segundo semestre de SMD] de comunicação visual, narrativas, cognição e tecnologias digitais, gestão de projetos… tentando conectar tudo que aprendemos de uma forma que fizesse sentido para o projeto e para o cliente.”
A aluna, entretanto, também menciona como o envolvimento em projetos multidisciplinares como esse tem impacto na sua formação pessoal:
“Com certeza, experiências ativas como essa contribuem muito para a formação acadêmica, mas acho que o melhor é que não se prende a ela. Para além do profissional, há o desenvolvimento pessoal também. Os relacionamentos com a equipe, resolução de problemas, lidar com desafios, comunicação assertiva… todas essas e ainda outras habilidades puderam ser desenvolvidas durante as fases do projeto, e ainda continuam sendo. A Bella foi um projeto muito divertido de trabalhar, e de aprender também. A interdisciplinaridade inclusive de projetos ajudou a entender as dimensões da universidade e conhecer melhor os caminhos que a gente consegue seguir dentro da UFC.”

Da esquerda para a direita, estão Anderson Maia, Naamã Alecsander, Yan Rabelo, a professora Raquel Freire, Alison da Silva, Pedro Bruno e Thalita Suzy.
O projeto foi desenvolvido sob a orientação dos professores Glaudiney Moreira, Raquel Freire, Daniel Januário e Rilvia Santiago. Em entrevista ao Portal UFC, Rilvia reafirma a importância de projetos que precisam “ultrapassar os muros acadêmicos, porque a pesquisa só faz sentido quando responde às necessidades da população. No caso dos microplásticos, percebemos que a grande maioria das pessoas sequer ouviu falar sobre o tema. Levar essa informação de forma acessível contribui para a conscientização ambiental e para a formação de cidadãos mais críticos e informados”. Nesse viés, entende-se como recursos multimídia podem ser meios de transmissão de conhecimentos de formas não convencionais, para além de textos acadêmicos, alcançando públicos por meio de ilustrações, sons e roteiros.
Apesar da participação fundamental de todos os orientadores, os alunos participantes gostariam de fazer um agradecimento especial aos professores Daniel Januário, pelo suporte no gerenciamento de projeto e da tomada de decisões, a Eduardo Novaes, pelo apoio da identidade visual do projeto da Bella e a Pâmela Castro, que, apesar de não ser uma orientadora oficial, ajudou-os a entender como trabalhar a linguagem dos quadrinhos, construção de cenários e com a concepção de personagens.
Os quadrinhos começaram a ser disponibilizados em janeiro de 2026, no Instagram do LTS. As histórias ganharam mais vida com a inserção do grupo ProSom – Produção de Áudio no projeto, que possibilitou que as histórias de Bella fossem narradas para o público.
A história de Bella se desenvolve em uma série de quadrinhos curtos, que introduzem a personagem e os microplásticos de forma lúdica. Em “A viagem sem fim”, o leitor é introduzido à Bella, uma menina de 10 anos que, após ver uma garrafa sendo levada pelo mar, descobre o conceito de microplásticos e que eles podem estar até na comida que ela come. Na segunda história, “A detetive da Praia”, a garota descobre que, mesmo pequenos, os microplásticos podem machucar os animais e os seres humanos. Em “Conhecendo o Laboratório”, Bella visita o LTS+ e descobre como a equipe quebra os microplásticos e os recicla. Em “Dia de Coleta”, a protagonista descobre, conversando com membros do projeto Conexão Azul, que já foram encontrados microplásticos até no sangue humano.

Os episódios dos quadrinhos contaram com narrações de Thalita, Anderson e Brunna (integrante do LTS+).
“Bella e o Mistério dos Microplásticos em A viagem sem fim” é a primeira história de uma série em quadrinhos que pode ser conferida no Instagram do LTS+.
Com o sucesso do trabalho, Alison, Anderson, Naamã, Pedro, Thalita e Yan afirmam que pretendem continuar colaborando juntos em futuros projetos. Agora, o grupo está no início da escrita de um artigo sobre o que eles desenvolveram a fim de apresentá-lo em congressos e publicá-lo em revistas acadêmicas.
